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Agosto Lilás: como identificar violência doméstica em condomínios de SJC

R do RoteiroSJC

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violência doméstica em condomínios: advogada Adriana Velozo orienta síndicos

Durante o Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e combate à violência doméstica, um alerta ganha força para quem mora em São José dos Campos e no Vale do Paraíba: a violência doméstica em condomínios pode passar despercebida justamente por acontecer dentro de portas fechadas.

Gritos, pedidos de socorro e mudanças de comportamento, porém, costumam chegar primeiro aos vizinhos, porteiros e síndicos. Para orientar moradores e administradores de condomínios da região, a especialista em Direito Condominial Adriana Velozo, da Velozo Consultoria Empresarial e Condominial, de Jacareí, explica como reconhecer sinais de risco e agir com responsabilidade.

Como identificar violência doméstica em condomínios

A violência doméstica não atinge exclusivamente mulheres: crianças, adolescentes, idosos e outras pessoas em situação de vulnerabilidade também podem ser vítimas, por meio de agressões físicas, psicológicas, morais, patrimoniais ou de negligência, independentemente da classe social ou do padrão do condomínio.

Em prédios e condomínios, pedidos de socorro, gritos, movimentações incomuns e mudanças de comportamento podem chamar a atenção de vizinhos e funcionários. Em determinadas situações, isso pode representar um alerta de que algo não está bem.

“Um dos grandes desafios para quem está fora da família é perceber até onde vai um conflito doméstico e quando existem elementos que indicam uma situação de violência. Por isso, o condomínio precisa estar preparado para reconhecer sinais de alerta e, principalmente, saber qual deve ser o encaminhamento, sem transformar moradores ou funcionários em investigadores”, explica Adriana Velozo.

Qual deve ser a postura do síndico diante de violência doméstica em condomínios

O primeiro cuidado é diferenciar uma situação de risco imediato de uma informação ou suspeita que chega ao conhecimento da administração. Em casos de flagrante, pedido de socorro, agressões ou risco imediato à integridade de uma pessoa, a orientação é acionar os órgãos de segurança competentes.

Quando não há uma emergência, o síndico deve registrar as informações recebidas, preservar o sigilo, evitar a exposição da possível vítima e de outros moradores, e buscar orientação jurídica para avaliar quais providências podem ser adotadas.

“O síndico não tem a função de apurar a vida particular dos moradores nem de confirmar uma denúncia por conta própria. O papel da administração é agir com prudência diante de uma informação relevante, preservar os envolvidos e saber quando uma situação precisa ser encaminhada às autoridades”, destaca Adriana.

A especialista chama atenção ainda para um risco comum: comentários em grupos de mensagens, exposição de nomes, divulgação de vídeos, fotografias ou informações sobre uma possível vítima podem agravar a situação e gerar consequências jurídicas. A orientação é restringir o compartilhamento de informações ao estritamente necessário e preservar a privacidade dos envolvidos.

Prevenção da violência doméstica em condomínios: o papel da gestão

Além de saber como agir diante de uma ocorrência, o condomínio pode adotar medidas preventivas contra a violência doméstica em condomínios, como campanhas de conscientização, orientação dos funcionários e divulgação dos canais oficiais de denúncia.

Essas iniciativas ajudam a criar uma cultura de atenção e responsabilidade, deixando claro que situações de violência não devem ser banalizadas ou tratadas simplesmente como “brigas de vizinhos”.

violência doméstica em condomínios: advogada Adriana Velozo orienta síndicos
Adriana Velozo, especialista em Direito Condominial, orienta síndicos sobre violência doméstica em condomínios durante o Agosto Lilás — Foto: Divulgação

“Quando funcionários e moradores recebem orientação prévia, a administração ganha segurança para lidar com situações sensíveis. Ter um procedimento definido evita decisões tomadas por impulso e ajuda o condomínio a agir de forma mais organizada, respeitando tanto a proteção da possível vítima quanto os direitos das demais pessoas envolvidas”, afirma Adriana.

Para a especialista, o Agosto Lilás pode ser também uma oportunidade para os condomínios incorporarem o tema à sua rotina de gestão, estabelecendo orientações internas sobre como proceder diante de situações de violência ou vulnerabilidade.

Quem quiser entender como o tema também é monitorado em outros equipamentos da cidade pode conferir como São José dos Campos passou a registrar ocorrências de violência doméstica e feminicídio na rede escolar através do CONVIVA-SP, medida adotada na nova Escola Estadual Vila Adriana.

Perguntas frequentes sobre violência doméstica em condomínios

Quem pode ser vítima de violência doméstica em condomínios? Não apenas mulheres: crianças, adolescentes, idosos e outras pessoas em situação de vulnerabilidade também podem sofrer agressões físicas, psicológicas, morais, patrimoniais ou de negligência, em qualquer padrão de condomínio.

O que o síndico deve fazer em caso de flagrante? Em situações de risco imediato, pedido de socorro ou agressão em andamento, a orientação é acionar imediatamente os órgãos de segurança competentes, como a Polícia Militar pelo telefone 190.

Como agir diante de uma suspeita, sem flagrante? O síndico deve registrar as informações recebidas, preservar o sigilo, evitar expor a possível vítima e buscar orientação jurídica antes de tomar qualquer providência.

Onde denunciar violência doméstica? Além dos canais de segurança pública, vítimas e testemunhas podem buscar orientação e apoio pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço gratuito e disponível 24 horas.

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Combater a violência doméstica em condomínios é, segundo Adriana Velozo, também uma questão de gestão: quando síndicos e moradores sabem como agir, o condomínio se torna um espaço mais seguro para todos, sem transformar vizinhos em investigadores nem expor as pessoas envolvidas.