Conecte-se conosco

Vida & Estilo

Feridas emocionais da infância: como elas influenciam nossos relacionamentos na vida adulta

Liliane Cristina Santos

Publicado

em

Feridas emocionais da infância — mãos de mãe e filha entrelaçadas, símbolo de acolhimento

Muitas vezes, o que vivemos na infância não fica no passado. Algumas experiências continuam presentes, ainda que de forma silenciosa, influenciando a maneira como pensamos, sentimos e nos relacionamos. Muitas das dificuldades que enfrentamos na vida adulta não começaram no presente. Elas podem ser ecos de histórias antigas que ainda não foram compreendidas, elaboradas ou acolhidas.

Aqui em São José dos Campos, essa é uma inquietação que tenho ouvido com frequência nos atendimentos e mentorias que realizo — muitas vezes ligada às feridas emocionais da infância que carregamos sem perceber.

Esta reflexão é a terceira etapa de uma jornada de autoconhecimento que venho propondo aqui no Portal Roteiro através de três perguntas. Primeiro, perguntamos o que está acontecendo comigo — e falamos sobre ansiedade. Depois, por que estou vivendo desta forma — e falamos sobre identidade e necessidade de aprovação. Agora, chegamos à terceira pergunta: de onde isso pode ter começado? Se você ainda não leu as colunas anteriores, te convido a percorrer esta jornada comigo.

Assista: Liliane Santos fala sobre feridas emocionais da infância

Antes de seguir a leitura, vale parar por um minuto e ouvir a reflexão de Liliane Santos sobre como as feridas emocionais da infância se formam — e por que reconhecê-las é o primeiro passo para a transformação:

Como Mentora de Famílias e Psicanalista em formação, percebo o quanto essa compreensão costuma trazer alívio para muitas pessoas. Afinal, entender a origem de determinados padrões nos tira o peso de procurar culpados e nos conduz a encontrar caminhos para a transformação.

Nem sempre são grandes traumas

Quando falamos em feridas emocionais da infância, é comum imaginarmos apenas grandes traumas ou acontecimentos marcantes. Mas nem sempre é assim.

Às vezes, as marcas mais profundas surgem em experiências aparentemente pequenas, mas repetidas ao longo do tempo: não se sentir visto, não se sentir ouvido, crescer acreditando que precisava ser forte o tempo todo, sentir que precisava corresponder para receber aprovação ou aprender a esconder emoções para evitar conflitos.

A criança, diante dessas experiências, faz o que consegue para sobreviver emocionalmente.

Ela aprende a agradar para ser aceita.
Aprende a se calar para evitar rejeição.
Aprende a assumir responsabilidades que não eram suas.
Aprende a não demonstrar fragilidade.

Quando a proteção da infância vira sofrimento no adulto

Essas estratégias foram importantes em algum momento da vida. Elas ajudaram aquela criança a se adaptar ao ambiente em que vivia. A questão é que, muitas vezes, elas continuam presentes quando a criança se torna adulta.

E aquilo que antes servia como proteção pode começar a gerar sofrimento.

Adultos que cresceram sentindo que precisavam agradar podem ter dificuldade em estabelecer limites.

Quem experimentou insegurança emocional pode desenvolver medo de abandono.

Quem precisou amadurecer cedo demais pode encontrar dificuldade em confiar, pedir ajuda ou simplesmente descansar.

Sem perceber, começamos a levar essas histórias para nossos relacionamentos, para o trabalho, para a forma como exercemos a parentalidade e até para a maneira como nos enxergamos.

Por que repetimos os mesmos padrões

Quantas vezes reagimos de forma intensa a situações aparentemente pequenas? Quantas vezes sentimos medos que parecem maiores do que a situação exige? Quantas vezes repetimos relacionamentos, conflitos ou escolhas semelhantes, mesmo desejando resultados diferentes?

Os estudos da psicanálise nos ajudam a compreender que parte dessas repetições acontecem porque aquilo que não foi elaborado continua buscando espaço para ser compreendido, fazendo com que o inconsciente revisite antigas dores, na esperança de encontrar um desfecho diferente.

O papel do autoconhecimento

E é justamente aqui que o autoconhecimento se torna tão importante.

Pelo contrário do que muitas vezes pensamos, olhar para a própria história não significa permanecer preso ao passado e sim, compreender como ele ainda influencia o presente.

Também não significa responsabilizar pais ou familiares por todas as dificuldades da vida adulta. Cada geração ofereceu aquilo que tinha condições emocionais de oferecer naquele momento.

Mas, compreender não é o mesmo que perpetuar.

A consciência nos dá a oportunidade de escolher caminhos diferentes.

Dentro das famílias, esta reflexão é especialmente importante. Muitas vezes, reproduzimos com nossos filhos exatamente aquilo que um dia recebemos, isso porque tendemos a repetir aquilo que conhecemos.

Feridas emocionais da infância — filha apoiada no ombro da mãe, símbolo de acolhimento e cura
Cuidar das próprias feridas emocionais da infância é também um ato de amor pelas próximas gerações — Foto: cottonbro studio/Pexels

Cuidar das próprias feridas é um ato de amor

Por isso, cuidar das próprias feridas é também um ato de amor pelas próximas gerações.

Quando um adulto se permite olhar para sua história com honestidade e compaixão, ele interrompe ciclos. Ele deixa de apenas reagir ao passado e passa a construir o futuro de forma mais consciente.

Talvez algumas das dificuldades que você enfrenta hoje tenham começado muito antes do que imagina.

Mas, existe uma notícia muito importante: elas não precisam determinar o restante da sua história. Pois, aquilo que é compreendido pode ser transformado. Isso nos tira do looping de repetição de padrões e nos leva à transformação, ao protagonismo da nossa vida.

Buscar ajuda não é fraqueza

E esse processo raramente acontece sozinho.

Algumas feridas precisam ser nomeadas, compreendidas e acolhidas para que deixem de conduzir nossas escolhas, nossos relacionamentos e a forma como nos percebemos no mundo.

Buscar ajuda profissional não é sinal de fraqueza ou incapacidade. Muitas vezes, é justamente o movimento de coragem que permite transformar sofrimento em consciência, repetição em aprendizado e dor em crescimento.

Acolher e curar a nossa história muda profundamente a forma como ela continua vivendo dentro de nós.

Receba as novidades de SJC!

Fique por dentro de saúde emocional e bem-estar em São José dos Campos.

Receba as novidades de SJC!

Participe do nosso canal exclusivo e receba dicas de saúde, gastronomia, eventos, direito, vida & estilo entre outros direto no seu celular.

ENTRAR NO CANAL DO ROTEIRO SJC

Se você é de São José dos Campos ou do Vale do Paraíba e reconheceu em si algumas dessas feridas emocionais da infância, saiba que não precisa caminhar sozinho nesse processo — a cidade conta com uma rede cada vez maior de profissionais preparados para esse tipo de acompanhamento.

Perguntas frequentes sobre feridas emocionais da infância

O que são feridas emocionais da infância?
Feridas emocionais da infância são marcas deixadas por experiências repetidas na infância — não se sentir visto, ouvido ou aceito — que continuam influenciando pensamentos, emoções e relacionamentos na vida adulta.

Toda ferida emocional da infância vem de um trauma grande?
Não. Muitas vezes as marcas mais profundas vêm de experiências pequenas, mas repetidas, como precisar agradar para ser aceito ou esconder emoções para evitar conflito.

É preciso culpar os pais para lidar com essas feridas?
Não. Compreender a origem dos padrões não significa responsabilizar a família — cada geração ofereceu o que tinha condições emocionais de oferecer.

Como começar a lidar com feridas emocionais da infância?
O primeiro passo é o autoconhecimento: nomear e compreender os padrões. Em São José dos Campos, é possível encontrar profissionais especializados em psicanálise e mentoria de famílias para dar esse primeiro passo — buscar ajuda é um movimento de coragem, não de fraqueza.

🧠 Colunista

Liliane Santos

Mentora de Famílias · Master Coach · Analista Comportamental Febracis · Psicanálise Clínica em Formação

Assistente social há 21 anos, com 10 dedicados a famílias em vulnerabilidade. Escreve sobre autoconhecimento, maturidade emocional e desenvolvimento humano no Portal Roteiro.

🧠 Ver todas as colunas de Liliane Santos →