Gastronomia
Matcha, a nova onda dos brasileiros: a origem do chá japonês, como chegou ao Brasil e receita de matcha latte para fazer em casa
Do pó verde-vivo nas cafeterias aos vídeos que viralizaram nas redes, o matcha virou a nova onda dos brasileiros. E quem mora em São José dos Campos já encontra matcha em cafeterias da cidade, ou pode entrar na tendência em casa: com uma boa receita de matcha latte, dá para preparar a bebida em casa, quente ou gelada, em poucos minutos.
Mas antes de ir para a cozinha, vale entender de onde vem esse chá, como ele chegou ao Brasil e por que ficou tão caro.
O que é matcha
O matcha é um chá-verde em pó, feito das mesmas folhas da planta Camellia sinensis que dão origem ao chá-verde comum, ao chá-preto e ao branco. A diferença está no cultivo e no preparo.
Algumas semanas antes da colheita, os pés de chá são cobertos para ficar na sombra. Com menos luz, as folhas ganham uma cor verde mais intensa e um sabor mais encorpado, com aquele gosto que os japoneses chamam de umami.
Depois da colheita, as folhas, chamadas de tencha, são cozidas no vapor, secas e moídas lentamente em moinhos de pedra, até virarem um pó finíssimo. Por isso, quem bebe matcha consome a folha inteira, e não só a infusão.
A origem do matcha: da China ao Japão
A história começa na China. Durante a dinastia Tang, entre os séculos 7 e 10, o chá era prensado em blocos, moído e fervido. Na dinastia Song, entre os anos 960 e 1279, surgiu o hábito de bater o chá em pó com água quente numa tigela, a base do matcha que conhecemos hoje.
Por volta de 1191, o monge budista Eisai levou esse método para o Japão. Anos depois, ele escreveu um livro sobre os benefícios de beber chá, que na época era visto quase como um remédio.
Enquanto o chá em pó caiu em desuso na China, no Japão ele ganhou status. A região de Uji, perto de Kyoto, se tornou o grande centro de produção. No século 16, mestres como Sen no Rikyu transformaram o preparo do matcha na cerimônia do chá, um ritual de simplicidade e atenção a cada gesto.
Para quem quer se aprofundar, a história do matcha está detalhada na Wikipédia, com as datas de cada fase.
Matcha no Brasil: da colônia japonesa às cafeterias
O chá chegou ao Brasil junto com a imigração japonesa, iniciada em 1908. Os imigrantes trouxeram seus costumes, incluindo a cerimônia do chá, mantida por décadas dentro da comunidade nipo-brasileira.
O cultivo de chá também tem raízes japonesas por aqui. Em 1913, o imigrante Torazo Okamoto chegou a Registro, no Vale do Ribeira, e trouxe mudas que deram origem à produção da cidade, que desde 1984 tem o título de Capital Estadual do Chá. Mas o chá de lá é preto: segundo especialistas do setor, praticamente todo o matcha vendido no Brasil ainda é importado do Japão.
O boom veio nos últimos anos. Puxado pelas redes sociais e pelas cafeterias, o matcha saiu das casas de inspiração asiática e foi parar no cardápio de grandes redes, com versões quentes, geladas e com xaropes. Uma das principais fornecedoras do país chegou a registrar alta de 600% nas vendas para cafeterias em um ano.
Por que o matcha está tão caro
A procura mundial cresceu mais rápido que a produção. O tencha é colhido uma vez por ano e depende do clima. Em 2024, marcas tradicionais japonesas chegaram a limitar vendas, e o preço do matcha de alta qualidade subiu mais de 30% em 2025.
Por isso, vale prestar atenção na hora de comprar. O matcha de grau cerimonial é o mais caro e o indicado para beber puro. Para a receita de matcha latte e outros preparos com leite, o de grau culinário costuma dar conta do recado.
Onde tomar matcha em SJC
Quem quer provar antes de preparar em casa já encontra a bebida em São José dos Campos. O Hokkaido Coffee & Matcha, casa dedicada ao chá japonês, tem duas unidades na cidade: uma no Jardim Aquarius, na região oeste, e outra no Vale Sul Shopping, no Jardim Satélite, região sul.
É uma boa forma de conhecer o sabor do matcha e entender a diferença entre as versões quente e gelada antes de investir no pó para fazer a receita de matcha latte em casa.
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Receita de matcha latte gelado
Esta receita de matcha latte rende um copo grande e fica pronta em cinco minutos.
Ingredientes
- 1 colher (chá) de matcha em pó (cerca de 2 g)
- 60 ml de água quente, entre 70 °C e 80 °C (não use água fervendo)
- 200 ml de leite gelado (pode ser de vaca ou vegetal)
- Gelo a gosto
- Adoçante, mel ou xarope a gosto (opcional)
Modo de preparo
- Peneire o matcha em uma tigela, para evitar grumos.
- Junte a água quente e bata até formar uma espuma clara por cima. O ideal é usar o batedor de bambu, chamado chasen, fazendo movimentos rápidos em zigue-zague. Na falta dele, um mini mixer de leite resolve.
- Em um copo alto, coloque o gelo e o leite. Se quiser, adoce o leite nesta etapa.
- Despeje o matcha batido por cima, devagar, para formar as camadas verde e branca.
- Misture na hora de beber.
Dicas para acertar a receita de matcha latte
Água fervendo deixa o matcha amargo, por isso respeite a temperatura. Se não tiver termômetro, ferva a água e espere uns cinco minutos.
Para a versão quente, aqueça o leite, bata para formar espuma e junte ao matcha já dissolvido.
Lembre que o matcha tem cafeína. Para quem é sensível, o melhor é evitar à noite.
Se o dia estiver mais fresco, a versão quente do matcha latte combina com outras receitas aconchegantes. Veja também nossas receitas comfort food para dias de chuva em SJC.
Perguntas frequentes sobre a receita de matcha latte
Matcha é a mesma coisa que chá-verde?
Vem da mesma planta, mas o matcha é cultivado na sombra e moído em pó. No chá-verde comum, você descarta as folhas depois da infusão.
Desde quando o matcha existe?
O hábito de bater chá em pó surgiu na China, na dinastia Song, e foi levado ao Japão por volta de 1191.
Posso fazer a receita de matcha latte sem o batedor de bambu?
Pode. Um mini mixer ou até um pote com tampa, bem chacoalhado, ajudam a dissolver o pó.







